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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Academia’s Bar



Academia's Bar
             Muitos bares existem na cidade onde moro. É nesses bares onde as pessoas se aliviam do stress diário do trabalho, dos problemas, ouvindo uma música e/ou ingerindo uma bebida para esquecer as agruras da vida e encorajar-se para enfrentar algo como esquecer um amor antigo e conquistar um novo amor, Nesse ambiente todo mundo pode está alegre, fazendo levantamento de copos sem nenhum esforço físico, somente econômico, diferentemente de academias onde todo mundo fica suando, carregando, peso, dividindo aparelhos no intuito de adquiri massa muscular, ter um corpo de atleta, esbelto, sem barriga.
            Muitas academias também existem em minha cidade, onde as pessoas buscam pela preservação de um corpo bonito, de saúde, de retardar o envelhecimento. Está na moda fazer academia, malhar.
            Como está na moda malhar em academias, ou seja, fazer ginástica, musculação, levantamento de peso, também está na moda malhar em bares, ficar sentado, conversando, fazer levantamento de copos, e, a moda de academia veio para ficar e nesse sentido o poder público está construindo várias academias nas praças públicas onde também ficam os bares que à noite são lotados de pessoas em buscas da diversão. Mas não acredito muito na prosperidade dessas academias, começando por sua própria estrutura física exterior que já imita um bar, o que poderá ser no futuro esses prédios construídos com dinheiro do erário público; um bar, ou seja, uma Ademia’s bar.

Antonio Ximenes


domingo, 31 de agosto de 2014

Um filho da bolsa



           Nasci há exatamente 18 anos. Sou um filho da bolsa, pois fui gerado em uma bolsa amniótica, no útero de minha mãe, onde eu tinha tudo para sobreviver. Lá, desenvolvi e cresci por nove meses, numa vida fácil para mim, antes de entrar em uma nova etapa de minha vida e, então, sobreviver de uma nova bolsa.
            Quando nasci, não lembro, mas me contam os mais velhos, que minha mãe recebeu uma dinheirama do governo por meu nascimento. O dinheiro foi tanto que ela comprou até aparelho de som, celular, etc., e olhe que naquela região onde morávamos, numa propriedade de um latifundiário, só mesmo os patrões de meus pais tinham celular. Era chique, mas não tinha sinal de telefone naquela localidade, ao topo da serra, próximo a um riacho.
            O dinheiro acabou e ficamos sobrevivendo na miséria até eu completar sete anos de idade, quando fui para a escola e, em consequência disso entrar em uma nova bolsa onde voltaria a ser alimentado por outro cordão umbilical que me mantivesse na escola e o governo no poder. O negócio foi muito bom, pois estudei, ainda que não tenha aprendido nada, mas estudei e passei de ano porque os professores eram obrigados e me passarem para serie seguinte. Meus pais também acharam bom esse negócio de bolsa porque era só colocar na bolsa, parir e receber outra bolsa. E foram bolsas e mais bolsas, cada uma delas com um nome diferente. Vejam: teve até a bolsa celular. Eu continuei sobrevivendo e crescendo alimentado pelas bolsas. Na minha primeira adolescência ainda cheguei a consumir crack, mas não foi problema por que recebi o bolsa crack. Até aqui tudo bem, sobrevivi e cresci sendo alimentado pelas bolsas. Mas as bolsas furaram-se, rasgaram-se.
            Acabou. Acabaram-se as bolsas, entretanto conclui o ensino médio. Só não consigo um emprego porque não sei de nada, não aprendi nada na escola. Existem pessoas bem mais competentes do que eu, que estudaram, às vezes, até sem bolsa, ainda assim aprenderam e conseguem passar nos concursos para ingressar em um emprego.
            Hoje, maior de idade, não tenho mais bolsas, e me sinto obrigado a ir atrás de quem tem mais, inclusive do governo que deu muitas bolsas para meus pais, e eu acho que por isso esse governo de bolsas ainda continua no poder.
            Vou pela rua, tomo um celular, um relógio, uma pulseira; vou a uma agência dos Correios, de um Banco, a um comercio e pego um dinheirinho para sobreviver e, se eu sobreviver, serei preso e passarei a receber uma nova bolsa do governo, portanto sou um filho da bolsa.

Antonio Ximenes

sábado, 9 de agosto de 2014

Eu só queria ter um pai



Eu queria ter um pai
que me desse educação
que me desse carinho
pois sinto-me sozinho
neste mundo, na solidão

                                    Eu queria ter um pai
                                    que pegasse na minha mão
                                    tirasse-me desta calçada
                                    cobrisse-me na madrugada
                                    com coberta sobre um colchão.


Eu queria ter um pai
Um pai que reprime
quando se faz algo errado,
e este filho abandonado
não entrasse no crime.

                                    Eu queria ter um pai
                                    que me levasse à escola,
                                    desse-me perspectiva de vida,
                                    e curasse minha ferida
                                    livrando-me da esmola

E queria tet um pai
que me ensinasse a orar
nos momentos de tristeza;
que me levasse a uma mesa
para comigo almoçar

                                     Eu queria ter um pai
                                     que minha alegria fosse sua,
                                     compartilhando nossos momentos.
                                     E eu não vivesse em sofrimentos
                                     Neste momento, nesta rua.

Eu só queria ter um pai.

                                                                                  Antonio Ximenes


                                    


domingo, 20 de julho de 2014

Brasil: 2050

Charge: Ximenes Júnior

domingo, 8 de junho de 2014

Absorto na incompetência



             Quando criança, entre 09 e 10 anos de idade, fazia caieiras juntamente com meu pai no intuito de adquirir um dinheiro. Derrubava árvores, cortava-as e queimava para fazer carvão. Absolvido no meu trabalho, não tinha discernimento sobre a competência que tinha meu pai de proibir-me daquele trabalho onde eu prejudicava a natureza, e até a mim mesmo quando inalava a fumaça ou o pó do carvão, mas naquela idade eu era incompetente para dirimir meus atos.
            A vida continuou, e como sempre gostei de trabalhar, permaneci fazendo carvão, mas já na minha adolescência, além de fazer carvão também juntava esterco de gado para vender. Nos meus 14 anos de idade, acordava pela manhã, mais precisamente 4 horas da manhã e ia espantar o gado bovino, ou seja, tanger o gado para que este se levantasse, evacuasse, e, então, eu colhia suas fezes moles e punha-as para secar ao sol e depois vendê-la. Até aí não me julgava competente ou incompetente, mas um necessitado que precisava do dinheiro, ás vezes, até para comprar alimento para os irmãos, entretanto, apesar desse trabalho e outros como em oficina mecânica, vendedor de cachorro quente, de geladinho, de cigarro, de balas, etc. Então podia considerar-me uma pessoa competentíssima por saber administrar meu tempo e conciliá-lo com meus estudos, pois nunca deixei de estudar.
            Tempos passaram. Trabalhei de ajudante de pedreiro, depois pedreiro, depois recepcionista, mas não deixava de estudar, pois tinha um objetivo: sair daquela vida medíocre, embora digna, pois não havia nenhum delito inserido em minhas competências. Estava absorto na vida, galgando degraus até que um dia consegui passar em um concurso público, depois no vestibular e cursar um curso superior. Agora, com essa formação, eu estava competente, se alguém acha que ser competente é ser letrado, detentor do conhecimento, mas eu defino como competente quem é capaz, embora não letrado.
            Pois bem, no meu labor diário, assoberbado de serviços de minha competência, por não atender a uma determinação que fugia dessa competência, foi “trazido à baila” que isso seria um sinal de incompetência, e por eu não conseguir mais diferenciar o que é competência ou incompetência, aqui estou eu absorto em minha incompetência, ou competência.

Antonio Ximenes de Oliveira