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terça-feira, 6 de março de 2018

E o calango foi à escola

             
Como foi? Foi assim: Estava eu passando por um projeto de escola municipal que se iniciou próximo ao período de uma campanha eleitoral, em um bairro que é denominado de Estrela. Não me recordo a data, mas está lá o projeto de escola onde por alguns instantes parei e fiquei a observar aquele transeunte adentrar naquele projeto de edifício. Parecia já está acostumado àquele recinto, pois a forma como caminhava, sem nenhum receio de ser agredido por outros seres vivos sorrateiros ou rastejantes que também poderiam frequentar aquele projeto de escola inacabada, onde o dinheiro público se dissolve sob a chuva, seca sob o sol e se vai com o vento, de forma volátil. Então, o calango entrou naquele projeto de escola, seguiu um corredor, uma pequena e estreita vereda que se lhe cabia. Fique ali a observar o retorno daquele quadrúpede rastejante, quando de repente ele aparece com uma presa na boca, uma borboleta amarela com as asas abertas, parecendo um livro, ou um caderno, mas, na verdade, era seu alimento, não a merenda escolar, ainda que fosse da cor de macarrão. Fiquei ainda a observar aquele calango ou carambolo, como chamam as crianças nordestinas, único usufruidor daquela construção iniciada e não acabada onde, se concluída, alimentaria o intelecto de muitas crianças deste bairro chamado Estrela que brilha apenas nas eleições municipais, e que a educação fica em segundo plano. Mas esse problema está sendo resolvido porque o dinheiro gasto nesta obra, a chuva molhou, o sol secou e o vento o levou assim como levou as palavras efêmeras dos que a iniciaram, e outro dinheiro veio, e outra obra para uma escola está sendo construída no mesmo bairro, em outro local, pois a anterior não serve mais como ambiente para educar. Serve apenas para acolher o matagal e o calango, seu morador e respectivas presas.

Antonio Ximenes

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Viajando na vida



                No caminho da vida, iniciei há alguns anos quando surgi num horizonte, inconsciente de onde vinha e porque vinha e o que deu a minha origem. Mas tudo bem, para mim não interessava em saber de nada, apenas as outras pessoas, aqueles gigantes, não que eu quisesse ou deixasse de querer, até porque eu não tinha vontade própria, cuidavam de mim. E,  aí inicia a caminhada na estrada da vida, cuja estrada pode ser uma vereda no matagal, uma estrada carroçável ou mesmo uma estrada pavimentada, asfaltada.
                Então, começando, certificaram-me por Antonio, não sei se em homenagem ao padroeiro de minha cidade, ou por razão outra que eu ignoro. Para se prosseguir em uma estrada, precisa-se de identificação e por esta razão estava lá, eu, com a minha Certidão de Nascimento para prosseguir rumo ao futuro, atirar-me no escuro da caminhada rumo ao meu fim.  Como para viajar, tona-se necessário a aquisição do conhecimento, matricularam-me numa escola, depois de eu já ter feito uma boa caminhada na estrada desta vida, já ter sido imunizado contra algumas doenças que poderiam me barrar antes mesmo que eu iniciasse esta caminhada.
                Estudei. Viajei no tempo, ano após ano. A escola me ensinou, mas o mundo ensinou-me muito mais. Neste percurso de aprendizagem percorri veredas no matagal, correndo da fome que me perseguia, e segui em estradas carroçáveis quando a necessidade me empurrou para o trabalho informal de uma criança faminta. Nesta estrada eram só buracos, muitas trepidações, mas prossegui viajando no tempo, na estrada da vida, até quando, novamente, me certificaram com o conhecimento para que eu pudesse ir mais além e seguir meu itinerário rumo ao meu destino. Viajei mais umas datas, agora já me segurando em algo para garantir a minha viagem, o meu emprego que consegui graças ao conhecimento adquirido e certificado anteriormente. Daí, vi que era necessário melhorar os conhecimento já adquiridos.
                Prossegui a caminhada, estudando para ampliar meus conhecimentos. Passados mais alguns anos, no percorrer na estrada da minha vida, fiz uma parada e dei uma carona a uma parceira que uniu seu certificado inicial ao meu, tornando-se certificado de casamento. Posteriormente vieram mais duas caronas que ainda me acompanham. São os meus filhos. Mas seguindo a viagem, após o surgimento dos filhos, fui novamente certificado com um título superior.
                Continuando minha viagem nesta estrada vital, apareceu uma cratera que queria impedir que eu prosseguisse a viagem terrena. Foi algum tempo estacionado, tentando resolver como tapar este buraco que apareceu na estrada de minha vida,  cujo buraco consistia numa doença maligna, mas com o poder daquele que me pôs no início desta caminhada, consegui perpassar o buraco e, hoje, estou contando esta história com o acréscimo de mais uma carona. Agora como cinco nesta caminhada até chegarmos ao nosso destino final.
Antonio Ximenes

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Então é natal.

           “Então é natal, e que você fez? Foi à praça outra vez” E assim começamos nosso pequeno discurso em texto escrito falando de uma natal onde, sob um calor de quase 40 graus nevou nesta cidade alvissareira, promissora, em praça pública, em um pequeno cenário representativo do natal, onde os anjos, e note-se, em quatro, não eram magros, eram nordestinos, pois tinha até um banda de forró pé-de-serra, Jesus nasceu em Campo Maior, e no dia de seu nascimento estava lá, aqueles anjos com seus instrumentos musicais: um zabumba, uma sanfona, um triângulo e um pandeiro, ensaiando o cântico de natal piauiês. Mas não era só. Nesse cenário se apresentava também um papai Não É, ou, papai Noel dos outros, além de sua esposa, a mamãe Noélia. Havia, ainda, naquele pequeno cenário uns anões, e por pouco pensei que estava em Itabaianinha, cidade brasileira dos anões. Ainda, caminhando na linha do tempo, vindo lá do nascimento de Jesus, passando pelo motivador comercial que é o Noel, chegamos ao descobrimento do Brasil, à época de Cabral que, inclusive, hoje, quando estava cortando o cabelo, lá no salão estavam alguns senhores comentando sobre a festa da virada, não do barco com escravos, mas da virada de ano, onde o animador da festa será Cabral com alguns mordidas, só que de amor. Não, não tem escravos. Ou tem? Ora, voltando aqui novamente na linha do tempo, ao nascimento do Cristo, sobre este nascimento já ouvi falar que Cristo não nasceu em Dezembro, mas em Outubro, e que essa comemoração em Dezembro foi a igreja que criou para acabar com um festival pagão do Sol Invicto, que havia em Roma. Outra coisa que me chamou atenção foi os animais que puxam o trenó, as renas do comerciante Noel, pois para andar mais rápido sem sair do lugar, lá estavam alguns garças que saíram do açude para puxar o trenó de Noel. Essa é minha Campo Maior, cidade alvissareira, altaneira e criateira, ou, digo, criativa.
Antonio Ximenes

domingo, 15 de outubro de 2017

Ser criança

          Ser criança, ser sem malícia, mas fácil de ser ludibriado pelo adulto a quem uma criança deposita toda confiança e o tem como protetor, como herói. Uma criança se molda aos ditames do ambiente de convívio que lhe servirá de espelho para a vida futura, e nesse contexto ambiental se insere a família, a escola, os coleguinhas, etc. Uma criança pode ser manipulada com facilidade.
          Nós adultos, óbvio, já fomos crianças e muitos de nós ainda temos nossas criancices de acreditar em papai Noel, mula sem cabeça, saci Pererê e até em ganhar presentes no dia das crianças.
             Mas neste mundo para tudo tem que ter um retorno, pois uma criança mal comportada, mal educada dificilmente ganhará presentes, entretanto, em troca de bom comportamento, de boa educação a criança receberá, como prêmio, presentes no dia das crianças. Também uma criança pode ganhar presentes em garantia de um comportamento futuro breve. Crianças são iludidas até quando virem uma máquina voadora no ar, em voos rasantes, e, algumas, sem conhecimentos educacionais gritam: “ Óia uma ariocopo”, e mais felizes ficam quando esta máquina está a distribuir presentes. E com esses pequenos inocentes se juntam algumas pessoas, também carentes do conhecimento, ou seja, iletradas, ou de pouco letramento, olhando pra cima, com pescoço cansado assim como sua vida, admirando aquele OVNI a distribuir presentes, a gritarem, “rai lá minino, pega um presente pra tu também, muleque!”, não sabendo essas adultas crianças que para toda ida existe uma volta. E qual é o retorno que se espera de uma situação como esta, em 12/outubro/2017, dessas crianças? Terão que ser bem comportadas e obedientes?
Antonio Ximenes

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domingo, 3 de setembro de 2017

Há muito não escrevo

        Há quanto tempo não escrevo uma crítica no obscurantismo do discurso em que alguns chamam de besteiras, e outros, por falta de instrução, não entendem uma palavra do que permeia a lição. Há quanto tempo não critico no íntimo das palavras sarcásticas que meu pensamento libera com sentidos escondidos como uma fera que ataca sorrateiramente a quem menos espera. E o tempo passa e as palavras se perdem na efemeridade a que pertencem, sem um discurso registrado pela escrita. Palavras bem ditas ou mal ditas, dependendo do ponto de vista de quem as lê. Se agradam, as palavras escritas pode-se dizer que quem as leu tem o espírito crítico, capaz de ler e compreender o que o discurso não diz, entretanto se não agradam, agridem depois que agregam valores outros que fogem à realidade do sentido das palavras que não expressam seu sentido literal.
         Há quanto tempo não escrevo, mas falta de assunto não há, bem assim a falta de tempo, do tempo real em que uma palavra pode ser fatal.
          Palavras se atiram como projéteis de um discurso sarcástico, crítico, mas camuflado, onde só vê, só entende, quem lê o que não está escrito. Assim são as palavras bem ditas ou mal ditas, faladas ou escritas que há muito não escrevo

Antonio Ximenes

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A pão e circo


         O povo faminto quer alimentar-se nem que seja de peixes doados pelo poder publico municipal. O povo quer divertir-se nem que seja em show de artista famoso pago com dinheiro do erário. E assim se inicia este texto, com estas duas assertivas que, na prática, garantem a perpetuidade do administrador em seu trono. Isso mesmo, trono. Nas festividades, o povo esquece das filas do SUS, da educação de péssima qualidade e de que está preso em suas residências, enquanto os marginais ficam soltos sob a garantia do Direito que lhe é dado.
       Recentemente numa cidade do universo via-se por uma das principais praças de eventos uma cena que retrata exatamente o que se expõe no parágrafo acima. Num domingo de páscoa, pós semana santa, após a divisão dos peixes que serviram como iscas para as próximas eleições, lá estava o povo alegre e “sastifeito” (erro propósito), com a barriga cheia e se divertindo. Era uma artista famosa que veio de longe receber o nosso dinheiro, o dinheiro dos nossos impostos. Nada contra, desde que sejam também bem aplicados na saúde, na educação e na segurança. Mas que saúde, se na mesma praça estavam pedintes, alcoólatras, etc.? Mas que educação, se na referida praça não se respeitava o direito do outrem? E onde estava a segurança se na segunda-feira seguinte estavam, no Distrito Policial, vários registros de ocorrências como, lesões, roubos, furtos, brigas, etc?.

        O povo faminto quer saúde, quer educação, quer segurança e quer, principalmente o respeito e dignidade daqueles que administram a cidade. Não que não haja festas, ofertas de comidas. Deve haver, sim, mas sem a intenção de algo em retorno do benefício próprio, com que foi pago com dinheiro do erário. Conhecem o erário? Se não, é falta de conhecimento que pode ser adquirido na experiência de vida ou na escola. Mas não nos preocupemos porque estamos de barriga cheia e nos divertimos bastante. Isso pode ser irônico, mas é importante. Vivemos a pão e circo
Prof. Antonio Ximenes

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Subjetiva - Palavra

          
 
          
Palavra, instrumento de comunicação volátil, efêmero e eterno que pode ser constituído apenas de um simples cumprimento pessoal como um “oi”, ou de um texto cuja conclusão deixa alguém “no chão”, pisoteado, cuspido, humilhado, sem que, necessariamente, isso aconteça por meios físicos. Mas pode também elevar a autoestima, curar uma doença, elevar a Deus as pessoas que dele estão necessitando bastante. Pode prender alguém, amar ou desamar, odiar, acariciar, etc. São incontáveis os benefícios ou os malefícios que trazem as palavras. Por sua subjetividade a palavra necessita de contextos em que uma palavra como “ódio” não tem sentido literal de ira, ou ainda a palavra “te amo”, pode não significar que alguém ama alguém. Uma palavra pode ser uma faca que perfura o outrem sem sinal de sangue, mas fere os sentimentos, corta a alma, afoga em lágrimas e isola na solidão. A palavra poder ser uma arma de fogo que quando é disparada contra o outrem este pode vir a óbito por um homicídio ou até mesmo um suicídio. A palavra é volátil quando foge sem controle do locutor, entretanto, dependendo de seu grau de volatilidade pode tornar-se uma bomba; é efêmera porque é passageira. Falou-se, passou, porém suas consequências podem ser desastrosas dependendo do registro que fica na mente de interlocutor, ou mesmo do locutor. É um instrumento de comunicação eterno porque ainda que se diga “até que a morte os separe”, esta expressão fica para sempre nas mente do interlocutor ainda que se separe antes da morte.
       Palavra tem força, deixa no chão pessoas que ouvem de quem ama, uma palavra áspera, perfurocortante, que fere o coração e abate alma. Também a palavra tem poder, o poder do perdão, da conciliação, do “deixa para lá” por que palavras são subjetivas, são compreendidas de formas diferentes por diferentes pessoas.

Antonio Ximenes