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domingo, 5 de fevereiro de 2017

Subjetiva - Palavra

          
 
          
Palavra, instrumento de comunicação volátil, efêmero e eterno que pode ser constituído apenas de um simples cumprimento pessoal como um “oi”, ou de um texto cuja conclusão deixa alguém “no chão”, pisoteado, cuspido, humilhado, sem que, necessariamente, isso aconteça por meios físicos. Mas pode também elevar a autoestima, curar uma doença, elevar a Deus as pessoas que dele estão necessitando bastante. Pode prender alguém, amar ou desamar, odiar, acariciar, etc. São incontáveis os benefícios ou os malefícios que trazem as palavras. Por sua subjetividade a palavra necessita de contextos em que uma palavra como “ódio” não tem sentido literal de ira, ou ainda a palavra “te amo”, pode não significar que alguém ama alguém. Uma palavra pode ser uma faca que perfura o outrem sem sinal de sangue, mas fere os sentimentos, corta a alma, afoga em lágrimas e isola na solidão. A palavra poder ser uma arma de fogo que quando é disparada contra o outrem este pode vir a óbito por um homicídio ou até mesmo um suicídio. A palavra é volátil quando foge sem controle do locutor, entretanto, dependendo de seu grau de volatilidade pode tornar-se uma bomba; é efêmera porque é passageira. Falou-se, passou, porém suas consequências podem ser desastrosas dependendo do registro que fica na mente de interlocutor, ou mesmo do locutor. É um instrumento de comunicação eterno porque ainda que se diga “até que a morte os separe”, esta expressão fica para sempre nas mente do interlocutor ainda que se separe antes da morte.
       Palavra tem força, deixa no chão pessoas que ouvem de quem ama, uma palavra áspera, perfurocortante, que fere o coração e abate alma. Também a palavra tem poder, o poder do perdão, da conciliação, do “deixa para lá” por que palavras são subjetivas, são compreendidas de formas diferentes por diferentes pessoas.

Antonio Ximenes

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Eu mergulhado em mim

Hoje, uma tristeza me abateu,
Uma lágrima caiu,
banhou meu rosto,
descendo pelo desgosto
de uma vida, de uma vida.

De uma vida de agruras,
de sentimento desalentador
por um choro descabido
de uma pessoa que é forte,
que lhe rodeia a morte.
A morte.

A morte por pensamentos
que me superam, me sufocam
e esperam um descuido apenas
de um ser que não quer ser
o capacho de uma vida medíocre

Hoje, vivo as consequências do ontem
Quando a tristeza não me liberou,
Minha mente mente, me engana
me humilha, me pisa, me abandona.
Hoje! ah hoje não tem sentido,
Não tem alegria, estou entristecido.

E mais um dia virá, o amanhã,
que me espera da solidão de mim,
de uma tristeza que me abateu.
Não me mostra quem sou eu
Este ser afogado na tristeza,
de uma vida... sei lá. .. assim

Antonio Ximenes

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ao meu amor


O açude que era grande III



video


Caro leitor desta terra
De heróis, de carnaubais
De homem trabalhador
De um povo detentor
De uma vida que não se encerra
Em problemas banais.

                                      Mas no açude que era grande
                                      Um problema bem complexo:
                                      Virou palco de carreatas
                                      De candidatos e candidatas
                                      Que propagam aos perplexos
                                      peixes  que se escondem


Caro leitor eleitor
Veja bem o que acontece
Às margens do ex-açude grande
Onde a poluição sonora se expande
Piranhas não tem, não aparecem,
outros peixes tem temor

                                      Vejam bem o que acontece:
                                      Traíras não ficam em riba
                                      da rasa água existente
                                      Cobras ficam latentes,
                                      Jacarés, com medo, arribam
                                      A brancura das garças fenece.

Outros quadrúpedes animais
que pastam nesse açude,
nas margens, no leito,
veja, povo, o direito.
Se ninguém os ajude
Na próxima eleição não tem mais.

                                       São esses animais
                                       a quem os candidatos estão se dirigindo?
                                       Mas como pode
                                       até um bode
                                       às  margens do açude perseguindo
                                       sem ter um pouco de paz?

Reflita, seja analítico.
À noite, num açude
às suas margens, com barulheira
os peixes ouvem tanta besteira
E sem nenhuma atitude
torna-se palco político. 


Antonio Ximenes

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Uma criança: um papel em branco ou o reflexo de um espelho?


Muito se tem discutido sobre os direitos da criança e do adolescente, direitos estes que se manipulam pelo Estado e pela sociedade e adentram no seio familiar. Ao contrário de outros tempos passados, tudo acontece rapidamente, quando se pensa realizar algo o tempo já passou. Isso por conta da globalização, da informação instantânea. E a criança e o adolescente como produto desse meio seriam as primeiras páginas em branca de um livro da vida humana, onde se escreve, e se não gostou da escrita, apaga-se, ou o reflexo de um espelho onde o espelho é a sociedade, a família, e nesse espelho se molda o feio e o bonito, o bom e o ruim?
Ora, desde criança vivenciei e vejo atitudes em nada legais e os desmandos do tratamento dado à criança e ao adolescente (eu nem sabia se existia adolescência), e percebo como tudo isso mudou, até por que as crianças do meu tempo, hoje, adultos, não querem dá a seus filhos aquilo que receberam como educação quando criança, à exceção do que consideram como bom. Lembro-me que fazia parte da educação que recebi quando criança, apanhar, ser penalizado pelo “meu erro”, inclusive na escola, quando, na década de 70, no interior do Maranhão, às quintas-feiras, ainda lembro, era o dia de argumento em que o “mestre” colocava os alunos em fila, e, com uma palmatória em punho argumentava sobre a Tabuada. Nesse tempo eu não tinha conhecimento do direito da criança e do adolescente, pois nem sabia que existia.
Hoje, com o esclarecimento que tenho, até como próprio ator, membro da sociedade e da família, na garantia dos direitos da criança e do adolescente, vejo o quanto foi o progresso nesses direitos e como são garantidos, e tudo isso em consequência da vigilância social e do Estado na garantia deles, inclusive na promoção de um curso em que se aprimoram os conhecimentos e promove atividades para melhoramento da prática que norteia rumos para a mudança de conceitos que viabilizarão a atuação no trabalho, bem assim na vida pessoal e social, cabendo a cada um e ao coletivo o papel de fiscalizador, mas não só fiscalizador como também praticante de atitudes na execução dos direitos da criança e do adolescente.

Antonio Ximenes


domingo, 13 de março de 2016

Soneto triste

Uma tristeza que me alegra
o corpo, minha face
Meu interior padece
na transmissão desse disfarce

                         Não quero tua tristeza
                         portanto busco alegrá-la,        
                         mas parecer em vão  
                         quando recebo tua fala.

E neste soneto triste
continua a falsidade
d'uma alma que não existe

                         Continua a aparência
                         de uma pessoa feliz
                         que a realidade não lhe condiz.            

Antonio Ximenes        

Um momento. Apenas uma bengala.



                    Neste momento em que minha voz resvala, estremece o meu corpo e entristece minh’alma; Neste momento que há muito a vida persegue, numa caminhada longínqua de oitenta anos, de muitas vitórias e de muitos desenganos; Neste momento em que minha voz não sai, pois minha língua torpe não fala ao meu pai; Neste momento ímpar, sem piedade, de comoção, de alma triste e triste coração. Um momento.... Momento em que tento me expor pela fala, coração partido e esta bengala. Esse momento se conclui, pois além não vai, e, presentear alguém que seja teu pai com um presente que a voz te entala, sendo o presente apenas uma bengala

Antonio Ximenes